Microbiota intestinal: influência comportamental e cognitivo

As descobertas recentes sobre a complexidade do microbioma intestinal tem resultado em uma revolução de muitos conceitos sobre a saúde, incluindo principalmente, o cérebro.

Por ter uma comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro, estressores psicológicos e físicos podem afetar a composição e a atividade metabólica da microbiota intestinal, ao qual pode afetar os comportamentos emocionais e doenças relacionadas ao cérebro como, autismo, ansiedade, depressão e dores crônicas.

Em um estudo recente, camundongos foram tratados com uma combinação de antibióticos desde o desmame até a fase da adolescência e os efeitos sobre os potenciais neuromoduladores do eixo cérebro-intestino (triptofano, monoaminas e neuropeptídeos) e a expressão do BDNF foram avaliados na vida adulta. Como resultados, o tratamento com antibiótico esgotou e reestruturou a composição da microbiota intestinal.

Esta depleção da microbiota intestinal a partir do desmame induziu a déficits cognitivos, alterou a dinâmica da via metabólica do triptofano e reduziu significativamente a expressão de BDNF, ocitocina e vasopressina no cérebro adulto dos ratos.

Assim, fica evidente que a redução da microbiota intestinal desde a infância, influencia o comportamento bem como os neurotransmissores na fase adulta, ao qual pode levar a problemas de cognição e ansiedade.

Fonte: Desbonnet et al. Gut microbiota depletion from early adolescence in mice: implications for brain and behavior. Brain Behav Immun 2015; 48:165-73

Mayer et al. Gut microbes and the brain: paradigm shift in neuroscience. J Neurosci 2014; 34:15490-15496

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